T Vejo Por Aih!

quarta-feira, setembro 06, 2006

hasta la Isla de Margarita
episódio final: "A Sala de Tortura"

Nossos últimos dias foram bastante tranquilos. De carro, conhecendo a cidade bem, visitando praias e lugares diferentes. Fomos também à famosééérrima boate Señor Frogs. Não tava tão legal nesse dia, acho que demos o azar de ir num dia meio ruim de público e de seleção de músicas. De qualquer maneira estávamos os dois de nariz empinado andando de carro. Porque agora a gente podia andar cheios de bagulho e não se preocupar em carregar nada pois era só abrir a porta traseira do nosso carinho branco, quatro portas com ar-condicionado e câmbio automático. Meu amigo já tava todo mitido dizendo que já tinha se acostumado e ia precisar se adaptar a dirigir "carro de pobre" de novo quando voltássemos a Manaus.

Por fim, chegou o dia de sair do hotel. Era um domingo quando deixamos o Le Parc e ficamos perambulando pela cidade sem eira nem beira e andando pelo litoral. Fomos atrás de um tal de museu aquático. Meu Deus como era longe! Lucio ansioso pra ver bichos enormes [uiuiui!] do oceano. Chegamos lá foi a maior decepção (na verdade mais dele que de minha parte). Na bilhetereia não tinha ninguém para nos atender, sendo assim meu companheiro que tem mestrado em cara-de-pau e abuso foi logo entrando. Eu, como não estava tão a fim de ficar perambulando por lá clandestinamente fiquei esperando sentada num banquinho logo à frente do museu olhando o mar. Mesmo porque não gosto muito de museus que mantém bichos vivos. Me dá pena de ver peixinhos em aquário, imaginem se eu visse algum bicho grande [uiuiui 2 - O retorno] preso em algum aquário minúsculo. Lucio demora lá mais ou menos uns 10 minutos e afirmou só ter visto um peixão no aquário e só.

Saímos de lá e fomos entregar o carro no aeroporto às 17hs. Nos dirigimos de táxi para a estação do Ferry. Começou então nesse momento nossa peregrinação. Digo isso porque ficamos quase umas duas horas esperando o Ferry chegar. Dessa vez pedi para comprarmos a passagem de VIP (a segunda mais cara mas ainda assim somente poucos bolívares a mais que a mais barata). Poltronas mais confortáveis que deu até para dar uma cochiladinha de leve. Chegando em Porto La Cruz mais ou menos uma hora da madruga, ficamos indecisos de esperávamos lá até dar umas 5 horas e então pegar um taxi até a rodoviária ou ir logo para ver se teríamos a sorte de pegar um ônibus o quanto antes. Optamos pela segunda opção e fomos para lá. Chegando à rodoviária da cidade, todos os guichés (nem sei como chamavam aqueles cubículos aonde vendem as passagens) estavam fechados, afinal eram quase 2 horas da manhã. Constatamos tristemente que precisaríamos esperar até as 13 horas para pegarmos um ônibus decente que nos levasse até Santa Elena.

Nos dirigimos para a sala de espera da rodoviária. Ao abrir a porta recebo aquele bafo frio do ar condicionado. Me deparo com uns 6 bancos enfileirados compridos daqueles com o braço de ferro e encosto de tiras de madeira pintadas de branco, comumente achados em praças. Algumas figuras fantasmagóricas na penumbra da sala dormindo sentados, outras assistindo à TV pendurada em um suporte na parede da frente da sala aonde fica a porta. Nos acomodamos, se é que podíamos fazer isso, e iniciamos uma longa espera. Eu não consegui cochilar naquela cadeira desconfortável e morrendo de frio. Tinha medo também de mexerem nas nossas coisas. Olhava para o lado e meu companheiro estava babando em cima de sua mochila e senti uma sensação de deja vu. Me pus a assistir os programas de madrugada venezuelanos. Assisti à uma novela, um filme dublado em espanhol, um programa a la Caldeirão do Huck com um monte de bitches se rebolando e dançando [blerrrgh]. Até o relógio marcar 8hs.

Após começar a ver movimento na rodoviária e ver os cubículos das transportadoras começarem seu expediente fugimos sem olhar pra trás da "sala de tortura". Após almoçarmos e alimentar nosso vício internético em um cyber ali perto embarcamos com destino a Santa Elena. A viagem até lá foi bastante cansativa, após a "escala" em três cidades pegamos a estrada que faz conexão direta até Santa Elena.

Mas quem disse que nossa viagem foi tão direta assim? Já estava avisada das alcabalas de revista que tinham na estrada mas mesmo assim não tem como a gente deixar de se chatear. A cada uma ou até mesmo meia hora a gente parava num desses postos. O procedimento era: sai todos do ônibus, todos devem pegar suas malas, dirigir-se ao posto de revista na estrada, esvaziar toda a sua mala para o soldado verificar suas coisas e depois voltar pro ônibus para arrumar sua mala de volta ao lugar. Eu começava o sono pesado aí o busu parava. Fizemos todo esse processo três vezes. Na primeira eu esvaziei a minha mala, milimetricamente arrumada e organizada. Depois de demorar um pouco revistando as minhas 2 sacolas (uma mala e uma mochila) o soldado mandou eu ir embora. Na segunda vez eu apenas tirei algumas coisas e mostrei o fundo da mala para ele e ele me deixou passar. Na terceira eu apenas abri a mala, ele colocou a mão até o fundo [uiuiui!] e sem dessarumar nada. Eram para ser cinco mas não entendi porque não paramos as outras duas vezes.

De Santa Elena é só 10 minutos até Pacaraima já no Brasil. Mas sem antes passar na fronteira e sermos revistados novamente. Dessa vez foi preciso passar as sacolas em uma máquina de raio-x. E ainda por cima quando a mala sai da máquina eles saem revistando mais ainda revirando tudo. Eu vi o policial revirando completamente a mala da senhora antes de mim e fiquei completamente desanimada por saber que ele ia bagunçar toooda a minha mala. Coitado do Lucio que passou uma tarde catando conchinhas na praia e conseguiu um saquinho cheio, o policial pegou este saquinho amassou com as duas mãos juntas, ouviu o estalo de conchinhas quebrando depois, todo desconfiado e dissimulado, devolveu o saquinho pra sacola. Ele revistou primeiro minha mochila, achou um pacote de absorvente, pegou e sacudiu em tom de zombaria em direção do colega dele sentado em uma mesa ao lado que olhou sério e com raiva, ele ficou rindo, eu fiz cara de mal olhando pra ele [é claro que por dentro eu tava morrendo de rir hahaha], ele me viu e devolveu o pacotinho de volta pra mochila. Depois foi pra minha mala. Eu fiz tamanha cara de penosidade e desânimo que ele apenas levantava as roupas cuidadosamente e remexia sem desarrumar nada. hahaha

A chegada ao Brasil foi tranquila e deu pra dormir bastante durante o percurso. Recomendo este tipo de viagem para quem gosta de economizar e se aventurar. Talvez eu volte lá em breve mas antes eu quero conhecer outros lugares no Brasil mesmo. Sim, eu mal saí das últimas férias e já estou pensando nas próximas. rsrsrs ;)


Fim!

Todos os capítulos:
episódio 1: "Os Preparativos"
episódio 2: "A Velha Pentelha"
episódio 3: "A Doida da Rodoviária"
episódio 4: "O Namorado de Gal Costa"
episódio 5: "Gringos"
episódio 6: "Eu era um turista..."
ep. final: "A Sala de Tortura"

Enviado por ThEyA às 09:05

Fale agora ou cale-se para sempre.
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Me vejo assim...

Eu me chamo Themis mas os outros me chamam de Theya, Timica, Thê, Themisuda, Trêmis, Tlemos, Thâmis. Apenas não me chame de "psiu" nem "ei" pois eu não vou olhar. Mitida não, apenas eu gosto do meu nome e se é pra usar vamos usá-lo.

Moro em Manaus, visual lindo, paisagem magnífica. Detesto preconceito e intolerância. Não gosto de ser previsível e tento ser original. Dou valor à lealdade apesar de levar muito na cara por isso. Gosto de sorvete, chiclete, jujuba, cocada, X-salada sem salada, milk-shake de chocolate e sushi. Sou finalista na faculdade, programadora iniciante, um pouco nerd e geek. Não fumo, bebo socialmente (raramente) e não consigo evitar roer as unhas. Aficionada por televisão e música, sou também uma cinéfila falida. Tímida na frente de quem não conheço, distraída em qualquer lugar e costumo a ser tachada de mitida por isso. Adoro rir, dançar, ler um bom livro, navegar na Internet, trabalhar, beijar na boca, cinema (pode ser em casa também), jogar no computador, meu quarto, som alto, balada e pessoas bem-humoradas.

Não espere encontrar aqui posts diarinhos, miguxês, spams recebidos por email (a não ser em casos muito extraordários). Espere tosquices e futilidades embora goste mais de redigir textos sobre assuntos sérios.

Não sei se alguém aí já notou mas os textos entre colchetes são totalmente dispensáveis. [nhé! mas são divertidos hihih O:D]

Espaço atualizado semanalmente mas às vezes posto mais vezes na semana, vai depender da minha disposição e inspiração. ;)

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Da Série "Hasta La Isla de Margarita"
(viagem para Venezuela em 2006)
ep. 1: "Os Preparativos"
ep. 2: "A Velha Pentelha"
ep. 3: "A Doida da Rodoviária"
ep. 4: "O Namorado de Gal Costa"
ep. 5: "Gringos"
ep. 6: "Eu era um turista..."
ep. final: "A Sala de Tortura"

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